Não adianta... Por mais que eu tente, não consigo não fazer um balanço da vida quando o meu aniversário se aproxima. Essas datas que fecham ciclos como ano novo, aniversários, etc., me deixam reflexivo.
Porém, refletir demais não tem sido uma viagem muito agradável já faz bastante tempo. Penso nas coisas que eu fiz e não que eu deixei de fazer. Penso nas coisas que vivi e, principalmente, nas que deixei de viver. Sei que é meio clichê, mas quando se percebe que mais de um terço de sua vida foi vivida sob a sombra da depressão, um certo desespero surge. Ano após ano, a mesma crise se repete numa fidelidade melancólica.
Alguns amigos me conheceram antes de tudo isso começar, enquanto outros já me encontraram nesse estado. Desejo tanto que um dia todas elas possam conhecer quem sou de verdade... Sim, esse não sou eu de verdade, pelo menos não eu por completo. Esta é uma versão enfraquecida de mim mesmo, do que eu costumava ser e, principalmente, do que eu POSSO SER. Sei que terei muito mais energia pra gastar e amor pra dar quando puder voltar a ser eu por completo.
Faz tanto tempo que esse eu não sou eu, que até mesmo quem me conheceu no passado remoto já se esqueceu de quem eu era. Acabou que, na mente das pessoas, ficou gravado um Thiago triste, desanimado, instável e lento. Lamento muito.
Estou muito, muito triste. Vejo que tanta luta resultou em tão pouca coisa... Sinto-me mais esvaziado em relação aos outros, menos energético, menos consistente. Deixei de experimentar e aprender tanto... Por fim, sinto-me inútil e incompetente em quase tudo. Essa preguiça de viver levou pro ralo minha motivação e, consequentemente, meus sonhos e expectativas de futuro. Sinto como se eu tivesse parado no tempo, há vários anos atrás. Foram tantas as tentativas que deram errado. Foram tantas batalhas perdidas...
Sei que é uma doença, sei também que me esforço o quanto posso, mas ainda sim não consigo não me sentir culpado. Essa culpa maldita me persegue dia e noite como uma assombração! As cobranças de mim mesmo e dos outros me torturam todos os dias, sem descanso! Queria ser como quase todo mundo, com problemas normais, mas ainda não consigo.
Torço pra que eu não me esqueça de quem eu fui. Enquanto me lembrar disso, lutarei pra voltar a ter uma vida feliz. No dia em que eu me esquecer de como é estar bem e com vontade de viver, já terei morrido metaforicamente. Enquanto isso, me apoiarei no resquício de persistência que ainda me resta e nas pessoas que tanto me ajudam e fazem a vida valer mesmo a pena.
Esse foi um desabafo sincero.
terça-feira, 15 de junho de 2010
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