Em cima da mesa somente minha tristeza. Aquela tristeza que você conhece bem, nesta mesa que foi sua. Pegue uma cadeira, sente-se ali. A melhor vista para minha desgraça. O melhor ângulo para que vejam sua eterna graça.
Tudo o que precisa saber de mim está sob esse leite derramado. Tudo o que quiser saber de mim está por dentro desse queijo amargo. A massa amarelada, insossa e quebradiça, é minha carne. O soro azedo, o meu sangue.
Ele fede, cheira a algo que deu desastrosamente errado. Ele sou eu. Por isso não tive coragem de oferecê-los aos ratos do meu quintal.
Preciso ver de perto este laticínio amarelar, emborrachar e mofar aqui em cima desta mesa. Quero ver, de perto, o fim de um começo grotesco.
Os fungos não perdoam ninguém. Seu arsenal enzimático é daqueles que transforma algo em nada. E quando tudo o que restar for esse nada, poderei me levantar.
Moby - Pale Horses
quinta-feira, 4 de março de 2010
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Um comentário:
bem... o corpo do cristo era mais interessante: pão e vinho! hehe
mas, se a questão é ver 'o fim de um começo grotesco', que os fungos o devorem!
ps.: minha visita foi de número 666! O.o
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