Pelos e pesado torso d'ouro em torno da flor, até então guardada.
A fala da floreada fêmea é de quem vai e quer que venha.
No estilo taurino de se fazer aquilo que todos gostam, que todos gozam, foi o touro.
Robustaurus são grandes e querem se mostrar, enquanto ninfas gostam de vê-lo crescer pra se enroscar.
Taurus galopante, gemendo na moita enquanto a flor se despetala. Bate asas como se quisesse alcançar o gemido que acabou de escapar, o mugido que acabou de soprar.
Em seu crânio robusto e molhado em dobro de resina salina, chifres duelam com os galhos tortos.
E mais um mugido escapa com o muco e a última remessa de leite sagrado, a ser cuidadosamente envasado na ânfora ventral feminina.
A Invasão e a infecção levarão à germinação de um parasita taurino. Seus chifres, ao ver luz, dilacerarão para sempre, e por inteiro, a flor que acabara de se abrir, dando vida ao seu fruto há muito fecundo.
Filho do mundo.
Massive Attack - Antistar
domingo, 21 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Não sinto
Sinto falta daquele frescor, sabe?
Daquela leveza de viver
Aquela vontade de amanhacer
Sinto falta daquela fome, sabe?
Daquela vontade danada
Aquele vício bom
Sinto falta daquela sede, sabe?
Aquele encanto em aprender
Sinto muito...
Moby - Pale Horses
Daquela leveza de viver
Aquela vontade de amanhacer
Sinto falta daquela fome, sabe?
Daquela vontade danada
Aquele vício bom
Sinto falta daquela sede, sabe?
Aquele encanto em aprender
Sinto muito...
Moby - Pale Horses
sexta-feira, 12 de março de 2010
Sistema Único de Saúde. Amém! (Parte 2)
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
PS: Se eu fosse famoso isso seria um poema.
Primal Scream - Pills
PS: Se eu fosse famoso isso seria um poema.
Primal Scream - Pills
sábado, 6 de março de 2010
Smalltown boy
Nascido no maior país da América do Sul, o país do Sol.
Em meio a um semi-árido cultural, teve que sair de casa cedo,
em busca de novos horizontes: um Belo Horizonte.
Ovelha branca da família. Filho bonito, educado, inteligente.
Futuro promissor!
Confiante em si, apesar de tímido.
Agora, em novas terras, conheceu a Doença.
Smalltown boy percebeu que seu alicerce fora construído sobre pântano.
Cometeu seus erros, caiu em tropeços... Afundou.
Seu promissor futuro não vingou.
Não se tornou ovelha negra, mas de certo tom acinzentado, sem graça.
Nem lá, nem cá.
Mas sua história não acaba aqui.
Ele continua, ainda tenta.
Electronic - Second Nature
Em meio a um semi-árido cultural, teve que sair de casa cedo,
em busca de novos horizontes: um Belo Horizonte.
Ovelha branca da família. Filho bonito, educado, inteligente.
Futuro promissor!
Confiante em si, apesar de tímido.
Agora, em novas terras, conheceu a Doença.
Smalltown boy percebeu que seu alicerce fora construído sobre pântano.
Cometeu seus erros, caiu em tropeços... Afundou.
Seu promissor futuro não vingou.
Não se tornou ovelha negra, mas de certo tom acinzentado, sem graça.
Nem lá, nem cá.
Mas sua história não acaba aqui.
Ele continua, ainda tenta.
Electronic - Second Nature
quinta-feira, 4 de março de 2010
Neurorréia nº3: Mesa
Em cima da mesa somente minha tristeza. Aquela tristeza que você conhece bem, nesta mesa que foi sua. Pegue uma cadeira, sente-se ali. A melhor vista para minha desgraça. O melhor ângulo para que vejam sua eterna graça.
Tudo o que precisa saber de mim está sob esse leite derramado. Tudo o que quiser saber de mim está por dentro desse queijo amargo. A massa amarelada, insossa e quebradiça, é minha carne. O soro azedo, o meu sangue.
Ele fede, cheira a algo que deu desastrosamente errado. Ele sou eu. Por isso não tive coragem de oferecê-los aos ratos do meu quintal.
Preciso ver de perto este laticínio amarelar, emborrachar e mofar aqui em cima desta mesa. Quero ver, de perto, o fim de um começo grotesco.
Os fungos não perdoam ninguém. Seu arsenal enzimático é daqueles que transforma algo em nada. E quando tudo o que restar for esse nada, poderei me levantar.
Moby - Pale Horses
Tudo o que precisa saber de mim está sob esse leite derramado. Tudo o que quiser saber de mim está por dentro desse queijo amargo. A massa amarelada, insossa e quebradiça, é minha carne. O soro azedo, o meu sangue.
Ele fede, cheira a algo que deu desastrosamente errado. Ele sou eu. Por isso não tive coragem de oferecê-los aos ratos do meu quintal.
Preciso ver de perto este laticínio amarelar, emborrachar e mofar aqui em cima desta mesa. Quero ver, de perto, o fim de um começo grotesco.
Os fungos não perdoam ninguém. Seu arsenal enzimático é daqueles que transforma algo em nada. E quando tudo o que restar for esse nada, poderei me levantar.
Moby - Pale Horses
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