Há algum tempo atrás quando li sobre o conceito de resiliência aplicado à psiquiatria/psicologia, achei interessante pois soou parecido com meu caso. Esse é um termo emprestado da Física que se refere à capacidade dos materias de retornarem ao seu estado original após deformação. De modo análogo, a mente humana é capaz de retornar ao seu estado original depois de cessada a perturbação ou superado o trauma, etc. Como cada ser humano é único, alguns são mais resilientes que outros. Por exemplo: algo que me deixaria deprimido, para outros poderia não ser um problema tão grande assim e para outros, ainda, poderia causar sofrimento em escala bem maior. Isso varia da personalidade e maturidade de cada um.
"Se a depressão ocorre em reação a um fato pontual, ela pode passar em algumas semanas, mas a pessoa pode ficar depressiva por meses e até nunca mais sair do quadro, tornando-se doente crônica com episódios recorrentes mesmo que o fato gerador há muito tenha perdido sua importância."
Essas palavras, retiradas de uma coluna da médica Meire Gomes, parecem descrever o que eu passo. Há 10 anos atrás, quando comecei a ter os primeiros sintomas de uma depressão leve (segundo o neurologista que eu consultei por causa das dores de cabeça inexplicáveis), se alguém me perguntasse eu saberia dizer mais ou menos o porquê da depressão, daquela tristeza e desânimo todo. Eu era capaz de pontuar as coisas que estavam ocorrendo na época e que, provavelmente, me levaram àquele quadro. Era uma fase de muitos conflitos internos e mudanças radicais na minha vida, e acho que eu não estava totalmente preparado pra lidar com eles.
Entretanto, o tempo passou. Eu amadureci e essas dificuldades e crises foram superadas, de verdade. Obviamente, o que me atingia aos 15 anos não me derrubaria mais hoje. Os antigos fantasmas foram embora mas a depressão ficou. Sinto que minha mente não conseguiu se reconstituir depois de anos de extrema perturbação na minah vida. Hoje, quando me perguntam por que estou tão mal, só consigo responder: "é a depressão que está me deprimindo".
Parece redundante mas não é bem assim. Com isso, quis dizer que o fato de eu estar deprimido, da vida estar se tornando um fardo mesmo depois de superados os problemas, me deixa muito frustrado. Meus problemas no estudo, na vida afetiva e social e essa eterna letargia causam prejuízos terríveis na vida prática. Eu, percebendo isso, acabo ficando mais deprimido. Deprimindo-me por me ver deprimido e não conseguir dar conta da rotina de sempre. Não há como eu fingir que certas coisas não estão acontecendo. A sensação de tempo e vida perdidos também não dá trégua.
Cheguei num ponto em que a depressão parece se confundir entre a causa e a consequência dos meus problemas. Ao mesmo tempo que ela me causa vários transtornos, os transtornos causados por ela so alimentam esse sentimento. É um ciclo, parece um vício maldito, um parasita, uma patologia auto-imune.
Hoje cedo tenho nova consulta de avaliação. Estou em uma nova investida medicamentosa há 2 semanas. Um medicamento de antiga geração, pois os de última geração não funcionaram comigo. Por causa disso eu esperava ter muito mais efeitos colaterais mas, até agora, nada muito diferente dos outros remédios. Menos mal.
PS: Obrigado a todos que se dispõem a ler meu blog e aos que comentam meus posts :)
Joy Division - Passover
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
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