sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Infância infame

Calma. Não se trata de nenhum trauma de infância nem "pouca vergonha" rsrsrs.
É a nostalgia de um tempo em que era fácil pra todo mundo viver. Mas essa conclusão não foi tirada apenas a partir da pura nostalgia que me toma conta, mas também de fatos concretos, e eu vou provar.

Na minha época...

Matar lesmas com sal e amarrar cigarras no barbante não parecia tão anti-ético como hoje, era inocente brincadeira de criança.

Tinha aqueles cigarrinhos de chocolate que eram uma delicia! Mas também não era anti-ético induzir criancinhas ao fumo...

No domingo, tinha um cara que jogava dinheiro para uma platéia de pobres sedentos por uma graninha e isso nem era considerado humilhação. Era diversão!

Ainda sobre os domingos na TV: camisetas brancas e molhadas sobre peitos enormes era atração para toda a família. Uhu!

Preocupação com o meio-ambiente? Só no dia da árvore. Sustentabilidade? Falar de poluição era coisa de ambientalista chato.

Brinquedos importados era garantia de muitas amizades ;-)

Minha mochila era da Company e lembro que isso dava moral entre os coleguinhas da escola, mesmo sem entender muito bem o porquê.

Os capas dos meus LP's da Xuxa e da Angélica mais lembravam as capas da Playboy de hoje do que a de um disco hehehe.

E as cantigas de ninar? Violência gratuita! Mas naquela época ainda parecia legal... ("atirei o pau no gato-to-to...")

Na mesma época, ainda era permitido ser feio e aparecer na TV daquele jeito!

Como os tempos mudam... Quero minha inocência de volta!!!

Polegar - Dá Pra Mim

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Resiliência

Há algum tempo atrás quando li sobre o conceito de resiliência aplicado à psiquiatria/psicologia, achei interessante pois soou parecido com meu caso. Esse é um termo emprestado da Física que se refere à capacidade dos materias de retornarem ao seu estado original após deformação. De modo análogo, a mente humana é capaz de retornar ao seu estado original depois de cessada a perturbação ou superado o trauma, etc. Como cada ser humano é único, alguns são mais resilientes que outros. Por exemplo: algo que me deixaria deprimido, para outros poderia não ser um problema tão grande assim e para outros, ainda, poderia causar sofrimento em escala bem maior. Isso varia da personalidade e maturidade de cada um.

"Se a depressão ocorre em reação a um fato pontual, ela pode passar em algumas semanas, mas a pessoa pode ficar depressiva por meses e até nunca mais sair do quadro, tornando-se doente crônica com episódios recorrentes mesmo que o fato gerador há muito tenha perdido sua importância."

Essas palavras, retiradas de uma coluna da médica Meire Gomes, parecem descrever o que eu passo. Há 10 anos atrás, quando comecei a ter os primeiros sintomas de uma depressão leve (segundo o neurologista que eu consultei por causa das dores de cabeça inexplicáveis), se alguém me perguntasse eu saberia dizer mais ou menos o porquê da depressão, daquela tristeza e desânimo todo. Eu era capaz de pontuar as coisas que estavam ocorrendo na época e que, provavelmente, me levaram àquele quadro. Era uma fase de muitos conflitos internos e mudanças radicais na minha vida, e acho que eu não estava totalmente preparado pra lidar com eles.

Entretanto, o tempo passou. Eu amadureci e essas dificuldades e crises foram superadas, de verdade. Obviamente, o que me atingia aos 15 anos não me derrubaria mais hoje. Os antigos fantasmas foram embora mas a depressão ficou. Sinto que minha mente não conseguiu se reconstituir depois de anos de extrema perturbação na minah vida. Hoje, quando me perguntam por que estou tão mal, só consigo responder: "é a depressão que está me deprimindo".

Parece redundante mas não é bem assim. Com isso, quis dizer que o fato de eu estar deprimido, da vida estar se tornando um fardo mesmo depois de superados os problemas, me deixa muito frustrado. Meus problemas no estudo, na vida afetiva e social e essa eterna letargia causam prejuízos terríveis na vida prática. Eu, percebendo isso, acabo ficando mais deprimido. Deprimindo-me por me ver deprimido e não conseguir dar conta da rotina de sempre. Não há como eu fingir que certas coisas não estão acontecendo. A sensação de tempo e vida perdidos também não dá trégua.

Cheguei num ponto em que a depressão parece se confundir entre a causa e a consequência dos meus problemas. Ao mesmo tempo que ela me causa vários transtornos, os transtornos causados por ela so alimentam esse sentimento. É um ciclo, parece um vício maldito, um parasita, uma patologia auto-imune.

Hoje cedo tenho nova consulta de avaliação. Estou em uma nova investida medicamentosa há 2 semanas. Um medicamento de antiga geração, pois os de última geração não funcionaram comigo. Por causa disso eu esperava ter muito mais efeitos colaterais mas, até agora, nada muito diferente dos outros remédios. Menos mal.

PS: Obrigado a todos que se dispõem a ler meu blog e aos que comentam meus posts :)

Joy Division - Passover

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Inguinorãça

A ignorância e o preconceito são os causadores das maiores desgraças desse planeta. O maior arrependimento da minha vida foi ter acreditado que "tudo passa", que era "só uma fase", que "todos nós temos problemas". Ouvia isso, acreditava, sentia vergonha e me sentia um fraco. Então me convenci de que eu resolveria tudo sozinho sem ninguém precisar saber. Foi então que, por imaturidade e ignorância minha e dos outros, e por medo de censura, perdi a oportunidade de procurar ajuda profissional logo no início da minha doença, o que poderia ter me poupado muitos anos de sofrimento.

As pessoas pensam saber de tudo, não é mesmo? Parecem ter muita segurança de que suas vidas nunca serão abaladas. Aparentam ir seguindo carregando uma falsa moral numa das mãos e a uma falsa sensação de invulnerabilidade na outra. Pena que todos nós estamos sujeitos a cair, a chegar no fundo do poço até. A vida de qualquer um pode virar de cabeça pra baixo de um dia para o outro e toda aquela convicção de se ter controle sobre ela, virar pó.

Depressão não é tristeza. A tristeza é um sentimento momentâneo, considerado saudável e até importante para o ser humano. A depressão é uma doença afetiva séria, causada por um desequilíbrio dos neurotransmissores cerebrais. Por causa disso, a pessoa não é capaz de se recuperar sozinha e deve procurar ajuda profissional.

A depressão compromete profundamente a auto-estima, a capacidade de sentir prazer, de tomar decisões, de concentração, o ciclo do sono, a disposição, o desejo sexual e vários outros aspectos que não somente o humor. Pesquisas da OMS revelam que os indivíduos que vivem um episódio depressivo, têm 50% de probabilidade de ter o segundo. Para os que passam por um segundo episódio, a probabilidade de ter um terceiro aumenta para 75%, e quem chegou ao terceiro, corre o risco 90% maior de sofrer uma quarta crise depressiva. Com esses dados, fica bem clara a importância de se procurar ajuda assim que surgirem os sintomas pois quanto mais tempo passa mais difícil fica sair da depressão.

A pior coisa q vc pode dizer a alguém deprimido é que ele "tem que sair dessa", que "tem que reagir" e fazer algo por ele mesmo. Ninguém quer ser infeliz. O deprimido tenta mas não consegue reagir, tenta mas não consegue se sentir melhor com as coisas que antes o fazia feliz. Isso gera uma frustração e um sentimento de culpa que só fazem derrubar ainda mais o indivíduo. Mesmo sendo uma doença tão antiga quanto o próprio ser humano, ainda hoje, maioria das pessoas ignoram o assunto, julgam mal e às vezes chegam a humilhar quem já está na pior possível.

Para piorar um pouco mais, o desgaste do termo "depressão", assim como de outras doenças como transtorno bipolar e esquizofrenia, geram mais confusão e alimentam preconceitos. Hoje em dia, qualquer um que se sinta entristecido diz que está deprimido, sem ter a menor noção da gravidade da doença de verdade. Outro que considera seu humor oscilante já vai dizendo que é bipolar...

A maioria das pessoas nao têm ideia do que é perder o prazer na vida. Ainda bem senão o mundo estaria acabado. Para quem tem depressão, sem que se percebesse, num momento as coisas perderam a graça de ser e uma simples rotina vira um fardo difícil de carregar. Começamos a questionar o porquê sem, entretanto, encontrar uma explicação razoável para aquilo... daí surge a culpa. Não bastasse o peso da própria depressão, ainda assumimos a culpa pelo que não conseguimos mais sentir. Afinal, tudo está aparentemente no seu devido lugar, o que mais poderia estar errado senão nós mesmos?

E o tempo vai passando, a energia diminuindo, a situação se agravando. A vida social se deteriora, o trabalho/estudo começa a se tornar uma ameaça e os tropeços são inevitáveis. É quando a frustração com os fracassos se junta ao pacote. Culpa, dor, vazio, frustrações, medos e dúvidas tomam conta da mente e fica dificil não pensar neles à todo instante. Mas esses não são a causa, e sim a consequência do estado depressivo.

É... o tempo passa, e passa doendo. Não é vazio, nem tédio, é dor mesmo. Uma tristeza e desânimo quem nem as coisas mais empolgantes conseguem levar embora. Coisas boas acontecem ao redor... mas parecemos estar imunes à maioria dos prazeres. E não aceitando o problema, não procurando ajuda, a dor só tende a aumentar. Uma dor que varia de intensidade dependendo do dia, que vai de vez em quando mas sempre volta. Uma dor que somos obrigados a suportar. Mas como nenhum ser humano está preparado pra viver na dor, algumas pessoas se entregam à vícios, drogas, se tornam agressivas ou procuram qualquer tipo de "analgésico" e válvula de escape. Quando o desespero e a dor chega ao máximo e a desesperança ao minimo, alguns cometem suicídio. Talvez a morte mais triste que um ser humano pode ter.

Adoram criticar quem lhe tira a própria vida, sem tentar imaginar o desespero que o levou a cometer tal ato. Muitos críticos se partiriam em pedaços por muito menos. E, ao contrário do que muitos pensam, o suicida não quer morrer, ele quer é acabar com aquela dor imensa e esse foi o único meio que encontrou. O suicida, paradoxalmente, conehce muito melhor o valor da vida (não confundindo com sobrevida) do que a pessoas normais. Afinal, ele sabe bem o que perdeu para a depressão e o que jamais terá chance de ter de volta com a morte.

Segundo a OMS, o suicídio já corresponde a mais da metade das mortes violentas em todo o globo. Ele também aparece no ranking das maiores causas de morte no mundo. Claro que nem todos os casos de suicídio se devem à doenças psíquicas. Mesmo assim, esse ainda é um assunto que ninguém conversa, que ninguém entende, uma campanha conscientizadora/preventiva que ninguém vê (porque não deve existir mesmo). O número de casos de afastamento e aposentadoria por invalidez, devido á depressão, também só aumentam. Entretanto, a ignorância e preconceito do ser humano continuam os mesmos. Doenças fatais.


fonte: www.estadao.com.br

Esta foi minnha tentativa de contribuir para esclarecer às pessoas algo sobre o tema. Uma pequena luz para começar a aprender a lidar com o problema.
Quem se identificar com sintomas de depressão, não cometa o mesmo erro que eu, procure logo uma ajuda profissional (psicológica ou psiquiátrica, mas de preferência os dois). E tente não ouvir àqueles que nada sabem do quanto você sofre e te põem ainda mais pra baixo.

Mais sobre o assunto/referências:

> http://www.lincx.com.br/lincx/saude_a_z/saude_mental/depr_tristeza.asp
> http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=55
> http://www.psicosite.com.br/tra/hum/depressao.htm
> http://infoviva.vilabol.uol.com.br/medett01.htm (teste de Goldberg)

New Order - Truth

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mais um.

Depois das férias prolongadas pela gripe suína, hoje foi meu primeiro dia de aula. Todos preocupados com projeto de graduação e com a proximidade da formatura, falando de estágios, empregos, projetos... e eu só queria que a maldita aula acabasse logo pra eu poder ir embora pra casa.

Em minha vida tá tudo errado, tudo fora do lugar. Deveria estar partilhando das mesmas preocupações que os outros, da mesma ansiedade, da mesma euforia, não deveria? Entretanto, o que se passa aqui dentro são sentimentos bastante diferentes.

Fiz meu segundo grau em colégio federal, more longe da família desde os 15 anos, entrei na universidade aos 17 (hoje tenho 24) e achava que a essa altura da vida estaria no meio do meu doutorado. Já acreditei, um dia, que tal precocidade contaria algo ao meu favor.

Mas depois de 9 anos estudando e frequentando ambientes acadêmicos de universidades, sou capaz de sentir a insegurança de um calouro. Aquele frio na barriga desgraçado, aquela sensação incômoda de não ter certeza do que te aguarda. A diferença é que o calouro ainda vibra com sua recente conquista de ter passado no vestibular, guarda dentro de si a euforia de se sentir um vencedor e de estar, finalmente, construindo sua independência. É claro que eu também já senti isso e me lembro bem como era acreditar estar no caminho certo. Mas dessa vez não tem nada disso.

Sobrou somente a tensão, o medo, a insegurança... Mais um período pela frente que eu não sei como vai ser, nem se vou dar conta. O que mais tenho feito é tropeçar. Esse seria meu último semestre, se eu fosse regular. Na verdade, se eu fosse regular, já teria formado ano passado mas ainda tenho esse semestre e mais um ano pela frente. E se eu não tivesse mudado de curso, já teria me formado em 2006, mas disso não me arrependo.

Estou é cansado, não aguentando mais. Sinto como se estivesse nadando contra-corrente, somente dando braçadas pra não me afogar.

Quando mais novo, eu podia ter todas a inseguranças do mundo mas eu acreditava na minha capacidade e responsabilidade. Amava estudar, ler, aprender coisas novas. Era um daqueles que chamavam de CDF, apesar de nunca realmente ter precisado me dedicar tanto aos estudos para aprender. Gostava do conhecimento pelo conhecimento, não precisava que tivesse alguma utilidade prática na minha vida. E acreditava que isso era bom.

Hoje eu luto pra conseguir ler um livro, uma revista, me focar nos trabalhos. Tenho preguiça de raciocinar, como se existisse uma pedra em cima da minha mente. As idéias não fluem como antes, a motivação não vem. A depressão me atingiu naquilo que eu considerava mais importante na vida. Me impede de ser aquilo que eu mais gostava de ser. É frustração demais! Vergonha, humilhação, tristeza, vazio. A vida que eu imaginava pra mim, a essa altura, era bem diferente. Nunca fui de fazer planos para o futuro mas minhas expectativas eram sempre altas. Pra ser sincero, estava acostumado a superar minhas próprias expectativas.

Hoje, sou obrigado a me aceitar diminuído como estou e esse tem sido meu maior desafio. Isso me machuca profundamente, muito mesmo. Difícil me conformar. Eu só queria voltar a ter uma vida normal, com problemas e preocupações normais e curtir as mesmas coisas que me faziam feliz antes! Nada mais!

Algumas pessoas esquecem que a mente faz parte do corpo:

"Mas você tem saúde, isso que é mais importante!"

Sinto informar que estás equivocado pois minha saúde mental anda muito capenga faz tempo. Em poucos anos involui de aluno exemplar e promissor para um picareta, preguiçoso, um pseudo-estudante. Todo conhecimento que acumulei até aqui não têm servido em nada pra me tirar dessa. Talvez tenha perdido meu tempo. Talvez teria sido melhor se eu tivesse gastado minha adolescência usando roupas cars, exibindo o tênis da moda, rebelde e baladeiro, ao invés de mergulhado em livros e revistas (internet não fazia parte da minha realidade ainda).

Acho mesmo que mereço algo por tanto esforço, por ter tentado fazer tudo certo e da melhor maneira possível. Mas se alguém ganhou com isso, tenho dúvidas de que eu esteja no topo da lista.

Queria ser mais ignorante, ou mais conformado. Queria não ser tão idealista. Queria ser feliz.

New Order - 'Slow Jam'


PS: Normalmente os posts virão acompanhados de streams de músicas que eu curto e que, de alguma maneira, tem haver com o assunto. Seja pela letra ou melodia...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sobre estar esculhambado, entre outras coisas...

Há muito tempo venho tentado organizar minhas idéias pra conseguir colocá-las num blog. Minha necessidade de me expressar é grande demais.Minha mente é um turbilhão de idéias, pensamentos e flashes que querem ser ouvidos. Talvez não há melhor maneira de fazer isso que com um blog.

Penso demais, observo demais, analiso de mais. Uma mente inquieta que vive buscando um sentido para tudo. Essa densidade é inconveniente, às vezes. Pensar demais é um problema e eu acho que não tem cura.Como eu queria viver sem pensar na vida! Mas não consigo...

O blog, lê quem quiser, na hora que estiver afim. Não há necessidade de perturbar meus amigos com meus desabafos e divagações fora de hora e de contexto.
Por outro lado, posso também nunca ser ouvido(lido) de verdade. Posso apenas estar perdendo meu tempo jogando palavras no vazio, sem ninguém que se interesse em saber o que se passa dentro de mim. Tomara que não...
Espero não ser tão desinteressante ou inconveniente assim. Talvez alguma coisa aqui sirva pra alguém lá fora. No mínimo servirá pra quem me conhece me entender melhor.

Luto contra uma depressão há muitos anos, muitos mesmo. Entretanto, só procurei ajuda profissional há apenas 2 anos e meio e, infelizmente, nada deu muito certo até agora.

Um caso meio complicado, resistente, e de diagnóstico mal concluído. Um "desafio", como bem definiu meu antigo psiquiatra. Talvez até seja bipolar pois já tive algumas pequenas euforias repentinas. Ao longo desses últimos anos já tomei vários medicamentos diferentes, em doses e combinações diversas. Enfrentei todo tipo de feito colateral, alguns muito difíceis de suportar, e tudo isso em busca de algum alívio.

Resumindo: minha vida ta uma grande merda!

Perdi o controle da minha vida e agora luto pra não desistir definitivamente, depois que tudo que o era mais importante pra mim que perdeu o sabor. Não sinto as coisas como antes. Assim é a depressão: simplesmente não consigo ser feliz por mais perfeito que tudo ao meu redor esteja. Não é por falta de saber o valor da vida e das pequenas coisas. Sei melhor do que ninguém o valor do que eu perdi e não consigo mais achar.

Entretanto, ainda não perdi o bom humor nem deixei de amar as pessoas que são importantes pra mim. Vivo uma luta diária para não descontar nos outros as minhas frustrações pessoais, não perder o controle e surtar de vez e ainda achar alguma motivação que consiga me fazer levantar da cama. Mas, apesar de tudo, tenho muita sorte. Meus amigos e família são tudo que eu tenho hoje.

Eles que me suportam, que me motivam, que tentam me entender... que gostam de mim apesar de tudo. Tenho certeza que essas pessoas não fazem idéia do quanto são importantes pra mim. Eles são o que ainda me faz continuar tentando achar uma saída. Sinto muito por nem sempre poder estar por perto, compartilhando as mesmas alegrias e conquistas.

É tão estranho... essa doença parece uma maldição. Como se um vento tivesse soprado e levado a graça de tudo, de repente.

Sem resistência, sem energia, sem ânimo pra nada, sem vontades, sem tesão... vou empurrando a vida como se fosse um verdadeiro fardo e sem a certeza de que haverá uma recompensa no final.

Já desejei que todos nesse mundo pudessem me entender. Puro egoísmo meu, mas eu só queria que as pessoas reconhecessem a minha luta. Não sou fraco. Não sou todo inerte. Estou tentando alguma coisa por mim!

Mas hoje, minha ambição é bem menor: não preciso que me entendam (nem eu me entendo direito), apenas que respeitem meu problema, os meus motivos, e que não me julguem.
Já me culpo o suficiente. E ainda luto pra não jogar em cima de mim a culpa de TUDO, como se o peso de uma existência esvaziada já não fosse grande até demais.
E assim vou levando... me sentindo diminuído, fraco e menos inteligente do que já fui.

UNKLE - 'Hold My Hand'